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sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Longo período de estiagem e queimadas afetam todo o Estado

Os consumidores de energia de todo o Estado passaram por grandes transtornos em razão do longo período de estiagem ocorrido este ano e dos inúmeros focos de queimadas. Segundo a Cemig, somente no mês de setembro, 283 interrupções no fornecimento de energia foram provocadas por queimadas que atingiram a rede da Empresa, afetando principalmente consumidores das regiões Oeste, Leste, Centro, Sul e Norte de Minas.

Além dos incalculáveis danos ao meio ambiente causados pelas queimadas, os custos da Cemig para o reparo de equipamentos e estruturas, como postes, torres metálicas e condutores, apenas em setembro, foram de cerca de R$ 850 mil, valor próximo do que foi gasto para repor os prejuízos causados de janeiro a agosto, um total de R$ 896 mil. Além disso, o número de interrupções provocadas por queimadas no mês de setembro representou um aumento de 60% em relação ao apurado nos meses de julho e agosto, que somaram 176 ocorrências.

O Corpo de Bombeiros de Minas Gerais identificou, de janeiro a agosto deste ano, um crescimento de 25% no número de incêndios florestais, em relação ao mesmo período em 2010, passando de 6,7 mil para 8,3 mil ocorrências.

Apesar desse aumento, o número de ocorrências, assim como o valor dos prejuízos causados, são bem menores do que os do ano passado. Em comparação com o mesmo período de 2010, julho e agosto registraram três vezes menos ocorrências, de 529 para 176, o mesmo acontecendo com os custos de substituição de material e equipamentos, de R$ 2,1 milhões para R$ 705 mil, em 2011.

Essa diminuição de ocorrências e de custos se dá também em função das ações preventivas realizadas pela Cemig que, já se antecipando ao período seco, realizou diversas obras, como a pintura de postes e outras estruturas com material antichamas e a limpeza da vegetação que fica sob as redes e linhas.

A Companhia investe R$ 3,5 milhões por ano em ações de limpeza de faixa, com a poda de árvores e vegetações, acero ao pé das torres e aplicação de pintura antichamas nos postes de madeira em locais de risco de queimadas. “Aproximadamente 90% das estruturas afetadas estavam aceradas e 50% já haviam recebido a pintura antichamas, que retarda a propagação do fogo ao longo da estrutura e é realizada a cada dois ou três anos”, explica Edgar Pereira Cardoso, gerente de Planejamento e Acompanhamento da Manutenção de Linhas e Subestações de Distribuição.


Casos expressivos

Um exemplo recente e bastante significativo foi o incêndio que afetou o Parque Estadual do Rola Moça no dia 23 de setembro, situação em que mais de 30 técnicos da Cemig estiveram envolvidos no restabelecimento de energia para os moradores residentes no entorno do Parque. Na ocasião, sete torres de madeira foram queimadas e derrubadas, dez postes e 16 cruzetas também foram totalmente destruídos.

O trabalho das equipes da Cemig foi intenso, em função da urgência na substituição e recuperação das estruturas danificadas, o que gerou custos da ordem de R$ 120 mil.

O gerente de Serviços em Linhas de Distribuição da Empresa, Evandro Lúcio Oliveira, destaca o comprometimento e dedicação dos eletricistas nos trabalhos para o restabelecimento da energia. “Foi necessário mobilizar equipes fora do expediente normal, às vezes à noite e com condições severas de trabalho, como cinzas e calor, no combate aos incêndios”. E complementa: “em muitos casos, conseguimos evitar a interrupção no fornecimento graças à ação em tempo adequado antes mesmo que a estrutura queimada caísse ao solo”.

Além das ocorrências na região Central, no dia 14 de setembro, uma queimada provocou a interrupção no fornecimento de energia, durante algumas horas, para os municípios de Ilicínea, Guapé, Santana da Vargem e Coqueiral, no Sul de Minas, que, juntos, possuem mais de 40 mil habitantes.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Período de estiagem aumenta índice de queimadas no Estado

Danos provocados por chamas prejudicam o tempo de restabelecimento de energia

Com mais de 80 dias de estiagem em grande parte do Estado, a Companhia Energética de Minas Gerais – Cemig registrou, somente nos meses de julho e agosto deste ano, 127 interrupções no fornecimento de energia em redes de distribuição provocadas por queimadas, afetando 94.754 consumidores.

Segundo Fernando César Bragança, engenheiro da Cemig, além dos prejuízos causados ao meio ambiente, as queimadas geralmente provocam danos irreversíveis aos materiais atingidos, gerando a necessidade da troca total dos equipamentos danificados. O prejuízo com a substituição desses equipamentos já soma R$ 896 mil somente este ano. “O processo de restabelecimento de energia nesses casos é ainda mais complicado. As queimadas interferem no tempo de execução das tarefas, não só pela complexidade do trabalho, mas também pela acessibilidade e permanência da equipe nos locais atingidos”, explica o engenheiro.

No dia 22 de agosto, por exemplo, uma das redes de transmissão de energia que atende a região de Ibiá, Campos Altos e São Gotardo, no Triângulo Mineiro e parte da Região do Alto Paranaíba, foi atingida por uma queimada, deixando 34 mil consumidores sem energia, dos quais 21 mil tiveram o fornecimento de energia interrompido por mais de quatro horas. A Cemig mobilizou 14 empregados, entre eletricistas, técnicos e engenheiros, e cinco veículos para localizar a falha e restabelecer o fornecimento de energia no menor prazo possível.

O atendimento poderia ter sido mais ágil se o fogo não tivesse se propagado e causado o risco iminente de queda de um dos postes, ocasionando muita fumaça e brasa no local”, explica Almir de Jesus Borges, técnico de serviço elétrico que estava envolvido no restabelecimento. Almir conta que os bombeiros chegaram a ser acionados, mas não conseguiram ter acesso ao local em função das condições desfavoráveis do terreno, não sendo possível, dessa forma, eliminar todo o foco de chamas. “A estrutura atingida estava próxima à outra que se manteve energizada, com bastante risco. Para trabalharmos com segurança, tivemos que atuar com uma equipe reduzida que se revezava em duas frentes de serviço”, diz o técnico.

Ocorrências

De janeiro a agosto deste ano, a Cemig registrou 170 interrupções no fornecimento de energia em redes de distribuição provocadas por queimadas, cerca de 109 mil consumidores ficaram sem energia.

No entanto, esse número aumenta significativamente até o fim do ano, especialmente em períodos de altas temperaturas e baixa umidade do ar. Para se ter uma ideia, no ano passado, ocorreram 529 desligamentos, que deixaram 433 mil consumidores sem energia.

Meteorologia

O mês de agosto foi marcado pelos baixos índices de umidade relativa do ar em grande parte de Minas Gerais, chegando a níveis abaixo de 15%, sobretudo nas regiões Norte, Noroeste e Triângulo Mineiro. Nesses locais não chove há mais de 80 dias e a previsão é de tempo seco pelo menos para os próximos dez dias. Já no Sul e Zona da Mata, frentes frias têm ocasionado uma pequena melhora na qualidade do ar. Toda a faixa leste do Estado também tem tido médias de umidade mais elevadas, em virtude da circulação oceânica.

Na Região Metropolitana de Belo Horizonte também não chove há mais de 80 dias e as condições de temperatura e umidade ainda permanecem críticas para os próximos dias. Uma frente fria poderá causar chuva leve nas regiões Sul, Zona da Mata e Central entre os dias 7 e 10 de setembro, entretanto não são esperados volumes significativos. Esse cenário condiz com a estação no Estado, que é marcada por tempo seco com favorabilidade para a ocorrência de queimadas.

Campanha e dicas

Desde o início de julho, a Cemig está veiculando nas emissoras de rádio de todo o Estado a campanha “Quem faz uma queimada pode perder o controle do fogo e causar um grande problema”. O objetivo é alertar a população sobre os riscos das queimadas.

De acordo com a Empresa, as principais causas de queimadas em Minas são a queima preparatória de pastos e de terrenos para plantio, além da queima de lixos e de tocos de cigarros jogados em beiras de estradas - atingindo a vegetação seca, e descargas atmosféricas. Para ajudar a diminuir os índices de focos de queimadas, a Cemig dá as seguintes orientações:

- fazer queimadas somente com autorização do IEF (0800 283 2323), Ibama ou órgãos competentes e de forma controlada, com a construção de aceiros e barreiras que impedem a propagação das chamas. O aceiro pode ser feito em forma de vala ou limpeza do terreno, de modo a obstruir a passagem do fogo;

- não jogar pontas de cigarro próximo a qualquer tipo de vegetação;

- apagar com água o resto do fogo em acampamentos para evitar que o vento leve as brasas para a mata;

- não realizar queimadas a menos de 15 metros de rodovias, de ferrovias e do limite das faixas de segurança das linhas de transmissão e distribuição de energia elétrica.

A Cemig lembra que é proibido o uso de fogo em áreas de reservas ecológicas, preservação permanente e parques florestais. De acordo com a legislação, o indivíduo que cometer o crime ambiental terá que responder a processo, com possibilidade de prisão, e deverá pagar multa pelo dano ambiental causado.

Em caso de incêndios, o Corpo de Bombeiros (193) ou as Brigadas Voluntárias de Combate a Incêndios Florestais devem ser avisados o mais depressa possível.